Nossas universidades estaduais pedem socorro! Comida estragada, salários de funcionários sem reajuste, prédios caindo aos pedaços… Essa é a realidade da USP, UNESP e UNICAMP, que há 31 anos recebem o mesmo percentual de repasse de verba pública.
Desde 1995, as universidades estaduais paulistas recebem apenas 9,57% da arrecadação do ICMS, que é o imposto pago diariamente pela população em cada compra feita no estado.
O problema é que, ao longo dessas três décadas, as universidades cresceram, abriram novos cursos, expandiram campi, aumentaram vagas e ampliaram a produção científica. Os custos aumentaram, mas o financiamento continuou praticamente o mesmo.
A conta não fecha, e quem sofre as consequências são estudantes e trabalhadores, enfrentando cortes, sucateamento e até casos absurdos, como comida estragada, com pedras ou até larvas em restaurantes universitários terceirizados.
Para piorar, em 2024, o governo Tarcísio de Freitas aprovou uma PEC que pode retirar até R$11 bilhões da educação pública paulista. No entanto, parece que estava sobrando dinheiro quando o governador distribuiu emendas voluntárias para os deputados estaduais da sua base, somando R$3 bilhões de recursos públicos sem transparência nos últimos 3 anos.
E não para por aí, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, enviado por Tarcísio à Assembleia Legislativa de São Paulo, mantém o percentual de 9,57% de repasse do ICMS para as universidades estaduais. Isso é inaceitável.
A greve das universidades estaduais é legítima. Estudantes e trabalhadores estão lutando pelo direito à educação pública de qualidade, por permanência estudantil, contratação de professores e financiamento digno para a USP, UNESP e UNICAMP. Essa é a nossa chance para somar forças e pressionar os deputados de São Paulo para votarem pelo aumento desse investimento que está defasado e congelado há 31 anos.

